sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

CLASSIFICACÃO DAS ORAÇÕES COORDENADAS SINDÉTICAS

TEXTO EXTRAÍDO DA GRAMÁTICA DO PROFESSOR PASQUALE CIPRO NETO.
CLASSIFICACÃO DAS ORAÇÕES COORDENADAS SINDÉTICAS


ADITIVAS


As coordenadas sindéticas aditivas normalmente indicam fatos ou acontecimentos
dispostos em sequência. A palavra aditiva é da mesma família da palavra adição, que,
como você sabe, significa "soma". Portanto, as coordenadas aditivas normalmente têm o
papel de somar, sem acrescentar outro matiz de significação. As conjunções
coordenativas aditivas típicas são e e nem (e + não):
Caetano Veloso canta e compõe muito bem.
Ela não trabalha nem estuda.


Como a conjunção nem tem o valor da expressão "e não", condena-se na língua culta a
forma e nem para introduzir orações aditivas.
A língua portuguesa dispõe também de estruturas correlativas para coordenar orações.
Essas estruturas, conhecidas como séries aditivas enfáticas, costumam ser usadas
quando se pretende enfatizar o conteúdo da segunda oração:

Caetano Veloso não só canta, mas também (ou como também) compõe muito bem.
Ele não só foi o melhor do time, mas também (ou como também) fez o gol da vitória.


ADVERSATIVAS


As orações coordenadas sintéticas adversativas exprimem fatos ou conceitos que se
opõem ao que se declara na oração coordenada anterior,
estabelecendo contraste ou compensação. A palavra adversativa é da mesma família da
palavra adversário, que, como você sabe, significa "opositor".

A conjunção coordenativa adversativa típica é mas; além dela, empregam-se porém, contudo, todavia, entretanto e as locuções no entanto, não obstante. Observe:

"Eu queria querer-te e amar o amor construirmos dulcíssima prisão, encontrar a mais
justa adequação, tudo métrica, rima, nunca dor, mas a vida é real e de viés."
(Caetano Veloso)
O Brasil tem potencial inesgotável; sua má administração, porém, tem produzido apenas
a sociedade mais injusta do planeta.
O time jogou muito bem, entretanto não conseguiu a vitória.


Em textos clássicos, é possível encontrar a conjunção entanto, que hoje só é empregada
na locução no entanto. Quanto a esta locução, convém não imitar uma construção cada
vez mais comum tanto na língua falada como na escrita: - Lutamos muito, mas, no
entanto, não conseguimos o que queríamos. Mas e no entanto se equivalem; portanto,
- basta usar uma das duas.


ALTERNATIVAS

A palavra alternativa é da mesma família das palavras alternância, alternar. É óbvio,
pois, que as orações coordenadas sindéticas alternativas exprimem fatos ou conceitos
que se alternam ou que se excluem mutuamente. Essa relação é normalmente expressa
pela conjunção ou (que pode surgir isolada ou em pares); além dela, empregam-se os
pares ora...
ora...ora…, ja... ja..., quer... quer... Observe:
Fale agora, ou cale-separa sempre.
Ora age com calma, ora trata a todos com muita aspereza.
Estarei lá quer você permita, quer você não permita.
Nesse último caso, o par quer... quer... está coordenando entre si duas orações que, na
verdade. expressam concessão em relação a "Estarei lá". É como se dissesse "Embora
você não permita, estarei la".


OBSERVAÇÃO
Na língua culta, não se aceita construções como : - Estarei la, quer chova ou faça sol -
ou Esta sempre alegre, seja dia de trabalho ou de festa. É necessário manter o
paralelismo, repetindo a conjunção - quer chova, quer faça sol -; seja dia de festa, seja
dia de trabalho.



CONCLUSIVAS

A palavra conclusiva é da mesma família das palavras concluir, conclusão.
Evidentemente, as orações coordenadas sindéticas conclusivas expressam uma
conclusão lógica que se obtém a partir dos fatos ou conceitos expressos na oração
anterior. A conjunção mais empregada na língua falada é por isso. Na língua escrita,
aparecem outras, como logo, portanto e pois, esta obrigatoriamente posposta o verbo.
Também se usam então, assim e as locuções por conseguinte, de modo que, em vista
disso. Observe:

Não tenho dinheiro, portanto não posso pagar.
"Penso, logo existo."
Ela é paulista; é, pois, brasileira.
O time venceu, por isso está classificado.


EXPLICATIVAS


As orações coordenadas explicativas normalmente expressam a justificativa de uma
ordem, sugestão ou suposição. As conjunções mais usadas são que, porque e pois, esta
obrigatoriamente anteposta ao verbo. Observe:

" Deixe em paz meu coração, que ele é um pote até aqui de mágoa " (Chico Buarque)
Choveu durante a noite, porque as ruas estão molhadas.
Cumprimente-o, pois hoje é seu aniversário.

É preciso tomar cuidado para não confundir explicação com causa, ou seja, não se
devem confundir as orações coordenadas explicativas com as subordinadas adverbiais
causais. Uma explicação é sempre posterior ao fato que a gerou; uma causa é sempre
anterior à conseqüência resultante dela. Nas frases acima, é fácil perceber que não se
estão indicando causas, e sim se apresentando explicações:

no primeiro caso, alguém pede que o deixem em paz e explica por que está fazendo o
pedido; no segundo caso, alguém supõe que tenha chovido durante a noite e baseia sua
suposição no fato de as ruas estarem molhadas. Note, nesse segundo caso, que seria
absurdo pensar que as ruas molhadas são a causa da chuva - o que ocorre é exatamente
o inverso. Se o fato de as ruas estarem molhadas fosse a causa da chuva, estaria
resolvido o problema da seca no Brasil:
bastaria molhar as ruas das cidades do sertão.


- nota da ledora: desenho de quadrinhos.
1o. quadro - dois detetives observam um homem engravatado, e carregando uma pasta.
Um detetive diz ao outro: - Algo não me cheira bem, Tuminha! Vamos dar campana ao
elemento que ele deve ter culpa no cartório! - responde o outro: - positivo Tumão. Que
faro!.

2o. quadro:- Tuminha diz a Tumão: - Como é que você consegue farejar pistas deste
jeito?
3o. quadro: - Intuição Tuminha, pura intuição! - ao que responde Tuminha com um
chorinho: - snif! - complementação da nota - a intuição do Tumão advém do rastro de
pó branco que esta caindo da maleta do elemento suspeito, e deixando uma fileira de
rastro atrás dele.
- fim da nota.
No 1o. quadro, ocorre uma oração coordenada sindética explicativa: 'que ele deve ter
culpa no cartório'; infelizmente sem vírgula separando-a da oração precedente
- nota da ledora: quadro de destaque na página.


OBSERVAÇÕES
1. É preciso, no caso das coordenadas, levar em conta que a classificação depende
fundamentalmente da relação de sentido que se estabelece entre as orações. A
conjunção e, por exemplo, é sempre vista como aditiva. Num período como "Deus cura,
e o médico manda a conta.", é evidente que seu valor não é aditivo. O período, na
verdade, equivale a algo como "Deus cura, mas é o médico quem manda a conta.". Em
"Você me quer forte, e eu não sou forte mais.", ocorre o mesmo. A conjunção e equivale
a mas, portanto tem valor adversativo e assim deveria ser classificada.

Para a Nomenclatura Gramatical Brasileira, no entanto, vale a forma. A conjunção e é aditiva e fim. Nos vestibulares mais requintados, felizmente, essa visão limitada já está fora de moda. A classificação leva em conta o sentido efetivo.

2. Há orações coordenadas assíndéticas que possuem claramente valor de sindéticas,
porque apresentam um conectivo subentendido. Veja:
Fiz o possível para prevenir-lhes o perigo; ninguém quis ouvir-me.
Fale baixo: não sou surdo!
A terceira oração do primeiro período ("ninguém quis ouvir-me") e a segunda do
segundo ("não sou surdo"), apesar de formalmente assindéticas, já que não apresentam
conjunção, têm sentidos bem marcados: a primeira tem valor adversativo (equivale a
"mas ninguém quis ouvir-me"); a segunda, explicativo (equivale a "pois não sou
surdo").

Por isso convém insistir em que você se preocupe mais com o uso efetivo das estruturas
linguísticas do que com discussões às vezes intermináveis sobre questões de mera
nomeclatura. - fim do quadro.

3 comentários:

  1. ISSO ME AJUDOU MUITO PERDI A AULA DE PORTUGUêS
    AI PEGEI O ASSUNTO PELA AKI GOSTEI BRIGADO..

    ResponderExcluir
  2. Ah mto bom , ! cabulei com meu namorado e perdi a materia , ai a professoraa nem kis me explicar,
    MAS AGORA NAO PRECISO , PQ JA SEI TUDOO ., !
    Valeeu .
    beijs
    hayley x-x

    ResponderExcluir